Artigo 13 - Publicidade Preventiva
Das primeiras campanhas à nova fase do projeto Jogo Responsável
SÉRIE 3 — Publicidade, Comunicação e Influência
(Antes da viragem crítica)
👉Prepara o terreno para a crítica ao design persuasivo.
Artigo 6 - Publicidade no Jogo: Entre a Sedução e o Risco
Artigo 13 - Publicidade Preventiva
Artigo 20 - Publicidade Predatória: Como Funciona
Introdução
Quando a marca Jogo Responsável surgiu em Portugal, em 2004, o país ainda não falava de literacia do jogo nem de prevenção comportamental. O tema era incómodo, e a ideia de promover a responsabilidade no jogo parecia, para muitos, contraditória: falar de risco num setor que vive de entretenimento era quase um tabu. Ainda assim, foi precisamente nesse silêncio que nasceu uma das primeiras campanhas públicas de jogo responsável na Europa.
Dia do Jogo Responsável
Em 2006, com a criação do Dia do Jogo Responsável, e no ano seguinte com a Semana do Jogo Responsável, o projeto deu um passo inédito: levar ao espaço público uma mensagem preventiva, antes que o problema acontecesse. Estas iniciativas foram mais do que campanhas, foram um ponto de viragem. Pela primeira vez, o discurso sobre o jogo em Portugal não se limitava à perspetiva do lucro, mas à da consciência.
Importa sublinhar que esta iniciativa contou com o apoio expresso de todos os sindicatos e associações representativas dos trabalhadores do setor do jogo (casinos), facto que atesta o consenso e a maturidade com que, já então, o tema foi acolhido. O envolvimento direto dos profissionais do setor deu força e legitimidade a uma causa que unia, pela primeira vez, operadores, trabalhadores e sociedade civil em torno da mesma mensagem: jogar com responsabilidade é proteger o futuro do próprio jogo.


A marca Jogo Responsável, registada no INPI sob a Classificação de Nice, 8.ª Edição, Classes 41 e 45, e assumidamente orientada para a responsabilidade social, trouxe para o debate europeu uma visão original: a publicidade preventiva como ferramenta de proteção e literacia. Desde o início, o registo jurídico da marca refletia um propósito inequívoco, desenvolver atividades de natureza educativa, informativa e social, em torno do comportamento no jogo e da promoção de práticas responsáveis.
A génese da publicidade preventiva
A publicidade preventiva nasceu de uma convicção simples, mas disruptiva: a comunicação pode ser usada não apenas para vender, mas também para proteger e educar. Ao contrário da publicidade tradicional, que apela ao impulso e à emoção, a publicidade preventiva fala à razão, à ética e à autonomia do jogador. O seu objetivo não é promover o jogo, é promover o discernimento.
Nessa altura, quase ninguém usava esta expressão. Hoje, é fácil reconhecer o alcance do conceito: enquanto muitos operadores investiam em slogans de euforia e recompensa, o Jogo Responsável falava de controlo, limites e informação. A mensagem era simples, direta e corajosa — “O jogo é entretenimento, não uma forma de ganhar dinheiro.” Foi um discurso que antecipou em mais de uma década aquilo que a própria legislação viria, mais tarde, a consagrar como princípio central: o jogo responsável como pilar da política pública de jogo.
O regresso ao propósito original
É neste contexto de maturidade que o Jogo Responsável retoma, em pleno, o conceito de Publicidade Preventiva. Não como um regresso ao passado, mas como continuação de uma missão que nunca deixou de fazer sentido.
Hoje, mais do que nunca, a sociedade precisa de mensagens que falem com verdade. Num tempo em que o jogo está no telemóvel, nos ecrãs e nas redes sociais, a prevenção tem de ser visível, criativa e coerente. As campanhas que se preparam para esta nova fase do projeto têm um objetivo claro: lembrar que a informação é a forma mais eficaz de proteção.
A Publicidade Preventiva não procura censurar o jogo, procura contextualizá-lo. Quer mostrar que o prazer do jogo é legítimo, desde que acompanhado por consciência e limite. Cada peça comunicacional, seja uma imagem, um spot, um cartaz ou um post, será pensada para informar com empatia, desmontar mitos e transformar conhecimento técnico em mensagens acessíveis e diretas.
Da prevenção à cultura da responsabilidade
Esta nova etapa marca um regresso às origens, mas com outra força. A marca Jogo Responsável entra novamente no espaço público com a autoridade de quem tem história, coerência e provas dadas. O conceito de Publicidade Preventiva reaparece agora num ecossistema mais preparado, com um público mais informado, um regulador mais consciente e uma sociedade que começa a reconhecer a importância da proteção.
Promover o jogo responsável através da comunicação é, afinal, o mesmo que educar através da linguagem da publicidade. É usar o mesmo poder que atrai o jogador para o ajudar a compreender o jogo, e a proteger-se dele quando for necessário.
Ao lançar novamente este projeto, o Jogo Responsável reafirma a sua vocação pioneira: ser a voz que educa, antes da voz que alerta; a mensagem que informa, antes da que adverte.
A Publicidade Preventiva é, assim, a expressão contemporânea de uma ideia intemporal: a de que a comunicação pode e deve servir o bem comum.
E esse é o compromisso que deu origem à marca, e que agora, com maturidade e renovada convicção, volta a dar-lhe voz.
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